Desenvolvimento Humano: Uma autoanalise do processo de construção da minha identidade

Desenvolvimento Humano: Uma autoanalise do processo de construção da minha identidade

Introdução

O modo de ser, pensar e agir do ser humano é construído e desenvolvido por influencias de aspectos herdados, biológicos, ambientais ou sociais?

Para tentar entender essa questão realizei uma autoanalise sobre como foi o meu processo de desenvolvimento humano baseado nas teorias de desenvolvimento dos principais teóricos sobre o assunto. Para essa analise vou dividir a minha infância em três estágios distintos denominados: Primeira Infância (0-3 anos) Segunda Infância (3-6 anos) e Terceira Infância (6-12 anos). Essa é uma análise subjetiva, pois entendo que o desenvolvimento humano pode ocorrer de diversas formas para cada individuo.

Teorias sobre o Desenvolvimento Humano

Muitos teóricos realizaram estudos sobre o processo de desenvolvimento humano, entre eles destacam-se as teorias de Sigmund Freud, Piaget e Vygotsky. As teorias de Freud sobre o desenvolvimento humano têm como principal o fator psicossexual dividido em cinco estágios, Piaget acredita que os fatores cognitivos como a memória, linguagem e raciocínio tem grande influencia no desenvolvimento, já Vygotsky defendeu que fatores históricos, culturais e o conceito de ZDP são os principais responsáveis pelo desenvolvimento humano.

Existem varias outras teorias e explicações sobre como acontece o desenvolvimento humano, mas qual é a teoria correta? Não podemos afirmar que existe apenas uma ou duas teorias que explicam o processo, entretanto há um consenso na comunidade cientifica de que o desenvolvimento humano é um processo extremamente complexo e que pode ocorrer por vários fatores.

Em minha autoanalise acredito que o desenvolvimento humano ocorreu por várias camadas sobrepostas ou sequenciais. Abaixo irei destacar os principais fatores que acredito ter maior influencia no meu desenvolvimento humano.

Primeira infância (0-3 anos)

Na área de conhecimento da medicina, estudos dizem que toda a psique humana é armazenada em neurônios em um eterno processo de construção, sendo assim as teorias de Locke sobre a “tabula rasa” fazem muito sentido, ou seja, que todo o nosso conhecimento nascem como uma folha em branco, e que ao decorrer do tempo vai sendo preenchida. Mas como explicar um recém-nascido saber dominar o processo da sucção?  Segundo estudos do teórico Granville Stanley Hall todo ser humano segue com o processo de desenvolvimento inato, ou seja, o padrão de comportamento de um bebe ao nascer segue processos instintivos.

A minha primeira lembrança ocorre aos meus três anos de idade, ocasião em que sofri uma queda de uma caixa d’água que estava no quintal de casa. Essa minha lembrança me faz entender que meu inconsciente tem um poder maior de armazenamento em casos que envolvem fatores de sobrevivência. Naquela ocasião aprendi e memorizei os perigos que envolvem a minha segurança e integridade física em lugares altos e sem segurança. Essa parte do desenvolvimento foi construída a principalmente pelo processo ambiental descritas nas teorias de John Whatson.

Outra lembrança que tenho ainda aos três anos foi a minha curiosidade de ver como as coisas funcionavam por fora e por dentro, essa curiosidade me conduziou a desmontar todos os brinquedos que ganhava. Segundo Pieget nessa fase que está dentro da do Pré-Operatório (2-7 anos) a criança desenvolve a capacidades de explorar, classificar objetos, além de desenvolver o raciocínio que são fatores de origem Cognitiva, Inata e Biológica.

Segunda infância (3-6 anos)

Nessa fase minhas memórias giram em torno das amizades e brincadeiras no ambiente familiar, na vizinhança e no ambiente escolar. Algumas memórias ficaram marcadas como o meu primeiro dia na pré-escola, o meu primeiro dia no 1º ano do ensino fundamental, as diversas brincadeiras realizadas em ambiente escolar com meus amigos da escola e as brincadeiras realizadas com amigos de minha vizinhança. Essa parte do desenvolvimento segue o fluxo de desenvolvimento padrão da idade conforme descrito por teóricos como Piaget (cognitivo), Freud (psicossexual) e de Vygotsky (histórico e cultural).

De origem muito pobre e humilde, minha visão de mundo foi construída a partir das memórias e experiências de uma criança que não tinha acesso a recursos básicos para o desenvolvimento escolar.  Por diversas vezes presenciei amigos da escola apresentando com orgulho seus mais diversos e coloridos matérias escolares, eu me contatava com apenas um lápis e um caderno muitas vezes já usado, desfilavam com suas mochilas novas, e eu por muitas vezes passava quase a metade do ano sem ao menos uma mochila usada. Para tentar me igualar aos amigos da escola desejei ter os mesmos materiais, mas não importava o quanto eu pedisse para os meus pais, a resposta sempre não pela falta de dinheiro. A hora do lanche era a minha principal hora da manhã, pois geralmente ia para a escola com fome, pois não tinha nada para comer em casa. Esses fatores sociais e ambientais tiveram grandes influencia nessa fase do meu desenvolvimento.

Terceira infância (6-12 anos)

Essa fase foi marcada por muitas novidades e o desenvolvimento foi intenso e marcante, muitas dos hábitos e gostos que descobri nessa fase permaneceram ao longo de toda minha existência.

Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)

Nessa fase estive muito próximo na vida da minha mãe, principalmente acompanhando ela nos mais diversos lugares e atividades do seu cotidiano. Eu não fazia por obrigação, gostava de acompanhar porque me proporcionava à oportunidade de conhecer os mais diversos ambientes. Muitos foram os ensinamentos da minha mãe no território das emoções, da ética e do respeito, ensinamento esses que ficaram marcados, tornando-se parte dos meus valores, e que moldaram o meu caráter. O modelo de ensinamento da minha mãe sempre foi baseado no amor, diferente do modelo do meu pai que era baseado na dor, lembro das poucas vezes que levei dolorosos castigos, foram poucos, mas bem marcantes. Crie nessa época a associação de que fazer algo errado pode gerar um doloroso castigo. A influência do meu pai no meu desenvolvimento foi forte e marcante no trabalho, aprendi desde cedo que a vida não é fácil, e que temos que trabalhar muito se queremos ter alguma coisa na vida.

Cultural

Nessa fase tive o primeiro contato com aquilo que seria uma das melhores experiências da minha vida, a música. O meu aprendizado na música foi meteórico, minhas experiência com a música demonstrou uma habilidade Inata da percepção musical. O Gosto pela musica definiu toda a minha linha de gostos musicais, aprendi a apreciar a música não apenas pela sua batida, mas pela sua harmonia, melodia e letra. O Desenvolvimento musica faze parte do desenvolvimento Sociocultural descritas nas teorias de Vygotsky.

Religiosa

Tive forte influencia religiosa no desenvolvimento por parte da mãe ela sempre buscou o contato com o mundo espiritual, consequentemente fui envolvido no meio religioso desde o inicio da terceira infância. A influência religiosa impactou profundamente o meu modo de enxergar o mundo, e foi o meu guia de vida por toda minha infância, adolescência e juventude. Muitas de minhas ações, modo de ser, pensar e agir foram baseados e pautados pelos preceitos religiosos. Esses preceitos religiosos fazem parte do desenvolvimento Sociocultural descritas nas teorias de Vygotsky.

Hereditárias

Ainda na minha infância, algumas características exclusivamente hereditárias, conforme descritas pelos teóricos Granville Stanley Hall e Lev Vygotsky, tiveram uma parcela no desenvolvimento nas minhas relações sociais, culturais e emocionais. Problemas de ordem física causaram limitações de movimentos nos meus membros inferiores e superiores, dificultando assim a prática de alguns esportes como o Futebol e o Basquete. Creio que essas limitações me forçaram a desenvolver algumas habilidades como a de pensar de forma mais técnica, e essa habilidade se estendeu para outras áreas na vida.

Lembro que aos meus 07 anos de idade na escola E.M. Profª Antonia Augusta Delphina de Moraes, aconteceu um campeonato de dança de um ritmo que na época estava na moda, a lambada. Foram abertas inscrições para participação dos alunos. Lembro que mesmo querendo participar, não me inscrevi devido a circunstâncias e da ciência que tinha das minhas limitações físicas, limitações essas não tão graves, mas que poderiam interferir no meu desempenho como dançarino.

Havia também uma questão fortemente emocional, minha limitação além de ser física era aparente, ou seja, meus membros superiores e inferiores não seguiam o padrão anatômico de um esqueleto humano, e isso chamava atenção dos alunos que fazia “bullying” principalmente na escola. Esses acontecimentos tiveram uma forte influencia no meu desenvolvimento humano no sentido de me fazer retrair e ser uma pessoa mais tímida ainda nos meus primeiro anos de vida. O medo de falar em publico, o medo de aparecer, o medo de expor o corpo, o complexo de inferioridade causado por ser diferente.

 

Conclusão

Em todo o meu processo de desenvolvimento humano na infância, observei vários fatores de desenvolvimento humano no processo de construção de minha identidade como os Fatores Inatos, Biológicos, Hereditários, Culturais, Emocionais, Ambientais, Religioso, Cognitivo, Psicossexuais, consciente, inconsciente. Acredito que os processos de desenvolvimento trabalham em camadas sobrepostas, e que uma camada depende de outra camada, e todas elas estão de alguma forma interligadas. Acredito também que o desenvolvimento humano acontece de forma igual (para fatores instintivos) e diferentes (para fatores únicos e pessoais), e que o ser humano está em um processo eterno de construção de sua memória inconsciente e consciente, sendo 80% do seu inconsciente gerado nos primeiros 10 anos de vida.

 

 

Figura 1

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Publicação Criada em: março 29, 2025
Atualizado em: março 29, 2025 10:45 am

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