A Influência do Funk no Desenvolvimento Humano: Uma Análise à Luz de Vygotsky e Watson
A música, enquanto expressão cultural, tem o poder de moldar pensamentos, comportamentos e valores. No entanto, quando seu conteúdo é marcado por mensagens degenerativas, surge um questionamento crucial: até que ponto essas letras influenciam o desenvolvimento humano, especialmente em jovens em fase de formação? Essa discussão, travada entre mim e Juliana Martins (nome fictício), revela dois olhares distintos sobre o funk e seu impacto. Enquanto ela defende o estilo como expressão legítima da periferia, minha perspectiva, fundamentada em Vygotsky e John B. Watson, alerta para os riscos de letras que banalizam a violência, a objetificação feminina e a cultura do imediatismo.
O Funk como Expressão Cultural: A Defesa de Juliana Martins
Camila argumenta que o funk é um movimento artístico vital para comunidades marginalizadas, dando voz a quem muitas vezes é silenciado. Ela ressalta que generalizar o gênero é injusto, pois ele também carrega narrativas de resistência e identidade. Além disso, defende que a influência negativa não está na música em si, mas no contexto social do indivíduo — família, amigos e condições de vida.
Sua posição reflete uma visão contemporânea que valoriza a escuta sem julgamentos, essencial para profissionais da psicologia. Juliana admite, porém, que não compactua com a sexualização excessiva ou a apologia às drogas, mas vê no funk uma energia que “anima” os ouvintes.
O Impacto das Letras no Desenvolvimento: Minha Argumentação
Embora reconheça o funk como manifestação cultural, meu ponto central é o conteúdo das letras e seu potencial degenerativo. Baseado em Vygotsky, que enfatiza a mediação cultural no desenvolvimento cognitivo, sustento que a música é um instrumento de internalização de valores. Se jovens são constantemente expostos a mensagens que:
- Normalizam a violência (“vida bandida”);
- Reduzem a mulher a objeto;
- Romantizam o enriquecimento ilícito;
- Banalizam o uso de drogas,
é inevitável que tais ideias se tornem parte de seu repertório moral. Watson, por sua vez, reforça que comportamentos são moldados por estímulos ambientais repetidos. Logo, a exposição crônica a letras que glorificam o imediatismo e a promiscuidade pode, sim, influenciar ações futuras.
Dados empíricos corroboram essa preocupação: a professora Joana (nome fictício), em sala de aula, flagrou adolescentes idolatrando o crime como “profissão”. Isso não é mera coincidência, mas um reflexo de como narrativas musicais distorcidas podem distorcer aspirações.
O Equilíbrio Necessário: Contexto x Conteúdo
Juliana tem razão ao afirmar que o entorno social é determinante. Contudo, subestimar o papel da música nesse ecossistema é um erro. Se analisamos jogos eletrônicos ou redes sociais para entender comportamentos, por que ignorar as letras que jovens consomem diariamente? A psicologia deve examinar todos os mediadores culturais, pois, como diz Vygotsky, é na interação com esses elementos que a mente se estrutura.
Conclusão: A Responsabilidade Coletiva
A discussão com Juliana Martins reforça que o funk não é o vilão, mas suas variações mais degradantes exigem crítica. Seu apelo à abertura é válido, mas não pode eclipsar os danos reais: jovens que desvalorizam o estudo, relações afetivas líquidas e a naturalização da misoginia.
Como futuros psicólogos — e sobretudo como sociedade —, devemos promover a cultura sem romantizar seus excessos. A música é um vetor de desenvolvimento, e escolher quais mensagens merecem ecoar é um ato de responsabilidade. Como concluí na conversa: “De uma pequena ação, surge um hábito; do hábito, um vício; e do vício, uma vida inteira.” Não se trata de censura, mas de proteger mentes em formação.
Fabio Batista de Medeiros
Pesquisador e Escritor sobre Comportamento Humano
Estudante de Psicologia
Bibliografia Referencial
Abaixo, segue uma seleção de obras e artigos que fundamentam as discussões apresentadas na dissertação, com base nos teóricos citados (Vygotsky, John B. Watson) e em outros autores relevantes para o tema:
1. Lev Vygotsky – Mediação Cultural e Desenvolvimento
- VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. 7ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
(Discute como a cultura e as interações sociais moldam o desenvolvimento cognitivo.) - VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
(Aborda a relação entre linguagem, pensamento e internalização de valores.) - OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento – Um Processo Sócio-Histórico. 5ª ed. São Paulo: Scipione, 2010.
(Analisa a aplicação das ideias de Vygotsky na educação e no desenvolvimento humano.)
2. John B. Watson – Behaviorismo e Influência Ambiental
- WATSON, J. B. Behaviorismo. São Paulo: Edipro, 2019. (Edição comentada.)
(Expõe a teoria de que comportamentos são condicionados por estímulos externos.) - SKINNER, B. F. Ciência e Comportamento Humano. 11ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
(Amplia a discussão behaviorista, incluindo a influência de meios culturais no comportamento.)
3. Psicologia Social e Influência da Música
- BANDURA, A. Social Learning Theory. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1977.
(Teoria da aprendizagem social, útil para entender como letras musicais podem servir de modelo comportamental.) - ZIMBARDO, P.; LEIPPÉ, M. The Psychology of Attitude Change and Social Influence. New York: McGraw-Hill, 1991.
(Analisa como mensagens midiáticas, incluindo músicas, influenciam atitudes.)
4. Cultura, Funk e Impacto Social
- HERSCHMANN, M. O Funk e o Hip-Hop Invadem a Cena. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2000.
(Estudo sobre o funk como movimento cultural e suas contradições.) - VIANNA, H. O Mundo Funk Carioca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
(Contextualiza o funk brasileiro e seus significados sociais.) - SANTOS, R. Música e Comportamento Juvenil: Efeitos das Letras de Funk na Periferia. São Paulo: Cortez, 2016.
(Pesquisa empírica sobre a relação entre consumo musical e valores em jovens.)
5. Psicanálise e Subconsciente
- FREUD, S. O Mal-Estar na Civilização. São Paulo: Penguin Classics, 2011.
(Discute como a cultura pode reprimir ou estimular impulsos, relacionando-se à banalização da violência e sexualidade.) - JUNG, C. G. O Homem e Seus Símbolos. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2017.
(Aborda a influência de arquétipos e símbolos culturais no inconsciente coletivo.)
6. Críticas Sociais e Educação
- FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
(Reflexão sobre a educação crítica e a formação de valores contra a alienação cultural.) - BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
(Analisa a fragilização de relações duradouras e a cultura do descartável.)
Observação:
Essas referências permitem aprofundar tanto a base teórica (Vygotsky, Watson) quanto as discussões sobre funk, desenvolvimento humano e influência midiática. Caso queira incluir citações diretas na dissertação, recomendo especialmente Vygotsky (2007) e Bandura (1977) para reforçar a argumentação.
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Publicação Criada em: março 25, 2025
Atualizado em: março 25, 2025 4:26 pm